- 14:17
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Não vos irrita a prepotência com que uma página em branco olha para vocês?
Na verdade, acho que tenho é medo de começar. Ou melhor, de acabar.
- 21:23
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Yeah, thanks. Anyone's got a compass to spare?
- 14:30
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Há uns meses, andei às voltas com umas figuras que aparecem na porta do quarto de Belle, à procura de uma imagem a que as associar. Pois bem, ontem estava eu a folhear a Sete e dei com a escultura mais parecida com estas figuras enigmáticas de todas as que procurei. Ora vejam lá.
Como é que, depois de procurar em todo o lado, vou acabar a encontrar a representação mais parecida em Portugal? E como é que isto pode encaixar num filme feito nos Estados Unidos, por americanos?
(Sofia a dar em doidinha, versão 2.0)
- 09:00
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Já agora, se alguém vir a minha sanidade mental, digam-lhe que ela está a fazer-me falta.
- 19:22
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E como se olhar para trás não fosse suficientemente assustador, olhar para a frente é bem mais crítico. Vem logo o discurso do "Como é que vou arranjar emprego com uma taxa de desemprego jovem nos 40%? Onde é que vou arranjar dinheiro? De que é que vou viver? Quem é que vai estar comigo? Para onde irão os meus amigos? Será que vou casar? Vão dar corda ao relógio biológico? O quê, crianças? Ainda outro dia eu acordava mais cedo para ver desenhos animados! Oh, quem é que eu estou a tentar enganar? Eu ainda vejo desenhos animados."
E depois sou só eu ou vocês também têm a sensação que vos estão a amarrar uma corda ao pescoço quando alguém mais velho diz: "Oh, que bela idade que tu tens! Aproveita, que esses anos não voltam!". Que querem dizer com isso, que a partir de agora é tudo a piorar?
Sejam, pois, bem-vindos à minha caótica mente. Estes são exemplos de alguns daqueles medos que julgamos ser os únicos a ter mas que, no final de contas, são tão comuns que até nos fazem pensar: "bolas, que falta de originalidade da minha parte".
Isto porque tropecei num texto que se chama mesmo Síndrome dos 20 e poucos anos e constatei que, realmente, se me sinto angustiada, não estou sozinha.
Lembrei-me logo também de que os 22 anos são uma espécie de idade mágica, para o bom e para o mau. Não me tinha apercebido disto antes de os fazer, mas vai desde o John Mayer a dizer "It's been a long time since 22", à Lily Allen a lembrar "When she was 22 her future looked bright", passando pela Norah Jones a dizer com melancolia "She’s 22/And she’s loving you/And you’ll never know how it makes me blue", e pela Katie Melua que suspira "Feeling 22, acting 17", e provavelmente outros de que agora não me lembro.*
Ainda assim, a letra que acho que resume melhor esta fase estranhamente desconfortável e irresistível é a de Twenty Something. Mas, antes que acabe o texto e dê a palavra ao Jamie Cullum, deixem-me só dizer-vos que não acho que os 20 anos sejam uma instituição. Já estamos tão cheios de regras e de "deves ser assim e não assado" que pôr mais um rótulo em cima dos outros todos é inútil e desajustado. Apesar de me sentir melhor com a ideia de que não estou sozinha com o meu sentimento de angústia, gosto também de acreditar que se me apetecesse ter filhos agora, fazer um inter-rail aos 50 e casar aos 80, podia. E isso não faria com que eu estivesse errada, pois não?
After years of expensive education
A car full of books and anticipation
I'm an expert on Shakespeare and that's a hell of a lot
But the world don't need scholars as much as I thought
Maybe I'll go travelling for a year
Finding myself, or start a career
Could work for the poor, though I'm hungry for fame
We all seem so different but we're just the same
Maybe I'll go to the gym, so I don't get fat
Aren't things more easy with a tight six pack?
Who knows the answers, who do you trust?
I can't even seperate love from lust
Maybe I'll move back home and pay off my loans
Working nine to five, answering phones
But don't make me live for my Friday nights
Drinking eight pints and getting in fights
I don't want to get up, just let me lie in
Leave me alone, I'm a twentysomething
Maybe I'll just fall in love
That could solve it all
Philosophers say that that's enough
There surely must be more
Love ain't the answer, nor is work
The truth elludes me so much it hurts
But I'm still having fun and I guess that's the key
I'm a twentysomething and I'll keep being me
I don't want to get up
Let me lie in
Leave me alone
I'm a twentysomething
*Músicas referidas (por ordem):
Who Says, John Mayer, Battle Studies, 2009
22, Lily Allen, It's Not Me, It's You, 2009
She's 22, Norah Jones, Little Broken Hearts, 2012
Closest Thing To Crazy, Katie Melua, 2008
- 20:22
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Estou a falar de uma capa da Time que tem andado a circular por aí faz já algum tempo. O artigo é do início de Maio e o autor Joel Stein. A notícia? Somos a "me me me generation" (a "eu eu eu geração"?). O pouco que consegui ler na internet diz o seguinte (desculpem se a tradução não estiver grande coisa):
"Estou prestes a fazer o que as pessoas mais velhas têm feito durante toda a história: chamar os mais jovens que eu de preguiçosos, egoístas e superficiais. Mas eu tenho estudos! Eu tenho estatísticas! Eu tenho citações de académicos! Ao contrário dos meus pais, avós e bisavós, eu tenho provas."
Ora, muitos parabéns! Alguém que encontrou uma maneira de dizer "a minha geração é melhor que a vossa" com números e citações. Espero que haja ali um nível de sarcasmo tão perfeito que até pareça que ele está a falar a sério.
Para ser justa, não sei se o artigo tem alguma reviravolta no final, à laia de filme de Hollywood, porque não o consegui ler todo. A verdade é que o subtítulo da capa anuncia "como eles vão salvar-nos". Parece que vamos de bestas a bestiais.
Com reviravolta ou não, confesso que não estava à espera de encontrar uma capa sensacionalista na Time. A sério... as receitas de publicidade estavam assim tão mázinhas? Precisavam assim tanto de vender? Ou de chamar a atenção? É que isso conseguiram, de certeza. Mas fiquei com sérias dúvidas relativamente à qualidade da revista, confesso. Para além de não ser muito agradável ver a minha geração ser chamada de preguiçosa e acusada de ser um fardo para os pais quando estamos afundados em dívidas de propinas e trabalhamos DE GRAÇA por causa de um sistema estupidamente desequilibrado e injusto que herdamos, também me entristece ver que o mercado tomou completamente conta dos meios de comunicação. Isso é que me preocupa. Chamem-nos o que quiserem, não vai deixar de ser idiota e ridículo. Mas daí fazerem disto capa de revista... Bem, estou preocupada. Com o "jornalismo" e com todos nós.
E, já agora, numa de "contra-informação", as respostas, mais ou menos furiosas, que circulam por aí.
- 12:18
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Há uns tempos que este mecanismo intricado a que chamamos memória me fascina. Por vezes, é fantástico a lembrar coisas aleatórias e a fazer sorrir de uma piada parva que nos contaram já nem sabemos bem quando, mas também é capaz de armazenar os momentos mais idiotas, que não queremos lembrar de todo. Dão-nos uma máquina fantástica mas depois não nos dizem como é que a controlamos. Ainda por cima quando ela define a maior parte do nosso resultado, da pessoa inacabada que vamos arrastando todos os dias.
A propósito de lembrar e de ter de esquecer, li isto por aí. Em momentos destes, o mais que se pode pedir é paciência. Muita. Um lote inteiro dela, e mais outro para reserva.
"Vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'"
- 21:00
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É isso mesmo, às vezes é o que me apetece dizer.
Eu própria tento ser sempre uma pessoa simpática, mas admito que, de vez em quando, se torna extremamente complicado levar com a simpatia que não se pede, pela simples razão que levar com ela é o mesmo que levar uma chapada na cara.
E se feri susceptibilidades ("lá vêm elas... se não somos simpáticos, somos os piores animais à face da terra; se somos simpáticos, somos bestas na mesma"), aqui fica a sabedoria de mais uma fantástica personagem de Maggie Smith.
- 12:47
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Faz hoje um ano que tive uma das conversas mais sérias da minha vida.
É estranho dizê-lo, porque raramente nos lembramos das exactas conversas que nos mudam de algum modo. Falar parece ser tão natural que tendemos a não lhe dar a importância devida. Chegamos mesmo a separar as "palavras" dos "actos". A típica conversa do "falam, falam, mas não os vejo a fazer nada". Pois eu acho que, a vários níveis, falar é o acto mais difícil de sempre e pode requerer uma grande dose de coragem.
Lembrar-me do ano passado é quase como olhar para uma fotografia ou um postal de um sítio que é mesmo na rua ao lado da nossa, mas pelo qual, por acaso, nunca passamos no dia-a-dia. Está lá tão perto, mas num universo completamente diferente daquele em que vivemos. Definir estas fronteiras pode parecer muito artificial, mas fazemo-lo todos os dias, ao escolher que caminho percorrer, que pessoas olhar na rua, que relações decidimos valorizar e quais as que mantemos a uma distância segura, sem fazer absolutamente nada a não ser lidar com as coincidências. Estas cercas que erguemos, os nossos limites de "território", apesar de pouco fixas, são o nosso mecanismo de defesa mais eficiente e mais ingrato. Basta abrir a cancela uma vez e alguém fazer asneira para nunca mais querermos vizinhos no quintal.
E depois há a ideia, essa sim, fácil de dizer, difícil de concretizar, de que temos de partir para a acção, temos de arriscar, temos de tentar porque, se não tentarmos, os "e ses" ficam a pairar-nos na cabeça para sempre. Como um dia alguém me lembrou e Victor Hugo, n'Os Miseráveis, "vende" com tanta convicção.
"Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta.
Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?»
Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura.
Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos."
Identifico-me com a perspectiva, mas também acho um pouco desleal dizer que é mais fácil correr perigos do que viver com as incertezas. Por mais que nos convençamos do contrário, todos os dias vivemos disfarçados no conforto. Não optamos por caminhos diferentes todos os dias para ir para o trabalho, não experimentamos estilos distintos a cada mês do ano... não nos é natural procurar o mais arriscado porque estamos armados com um mecanismo de sobrevivência, físico e emocional. Temos a tendência para procurar sempre algo que nos seja familiar e que acrescente algo vantajoso ao que sabemos, ou julgamos saber.
Seja qual for o caso, e seja qual for a decisão - porque o estado de inércia também é consequência de uma decisão - aprendi que há coisas que ninguém pode fazer por mim, e uma delas é proteger-me. Ninguém me vai proteger mais do que eu me protegerei a mim própria, nem eu alguma vez conseguirei ser a "cerca" de alguém, porque não está ao meu alcance. Foi preciso percorrer um longo caminho para entender isto, e lutar contra alguns dos meus mais poderosos instintos, para entender que nunca vou poder fazer mais do que aliviar circunstâncias, fortalecer as defesas dos outros, não deixar que caiam, impedir que alguma coisa os derrube. Mas não posso viver por ninguém, e ninguém pode viver por mim, ou entrar em mim, ou extrair de mim algo que me magoou, magoa, talvez continue a magoar, talvez nunca sare, talvez nunca seja suposto sarar.
E não faz mal. Não faz mal estarmos sozinhos com estas sensações, não faz mal sentirmo-nos magoados. Não é vergonha nenhuma, nem é fardo para ninguém a não ser para nós próprios, se percebermos onde é justo desejar a linha. E por mais que ergamos as cercas sozinhos, por alguma razão deixamos alguém entrar. Mesmo que alguém derrube um vaso, ou estrague as miosótis que plantei no jardim com tanto carinho, isso faz parte. Talvez não seja fácil plantá-las novamente e esperar que o desastre não se repita, mas acredito também que contemplar um jardim vazio é bem mais devastador.
E por mais fechada que esteja a cancela por agora, com trancas e tudo ("casa roubada, trancas à porta"), há sempre as conversas de janela e as cartas no correio. Um dia, quando me esquecer das trancas e o deixar aberto, será porque decidi que sei exactamente quem deixar entrar.
E as miosótis que se aguentem, que a Primavera tarda a chegar, mas volta sempre.
- 12:56
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Ontem, antes de adormecer, pus-me a ouvir esta música, que não me tinha saído da cabeça o dia inteiro e, de repente, tive um sentimento muito estranho, uma espécie de catarse e de epifania ao mesmo tempo. Sim, consegui adormecer mesmo depois disto.
Subitamente, senti uma onda de optimismo que não sei explicar, como se algo de muito bom estivesse para acontecer. É uma parvoíce mas, como não ando propriamente a dançar de felicidade e realização nos últimos tempos, decidi agarrar a sensação com todas as minhas forças. Foi quase como um sonho lúcido, uma miragem. Não vi as coisas à minha frente, mas senti que ia ficar tudo bem. Não sei explicar... Por momentos, tive saudades do futuro. Isso foi o quão claro tudo me pareceu, quão seguro e desafiante ao mesmo tempo, quão diferente e quão melhor.
Talvez alguma coisa nos acordes da St. Patrick's Day tenha acordado alguma parte adormecida do meu cérebro, para me lembrar que não me faltam sonhos, e que não me serve de nada acomodar-me à ideia de que o universo tem um humor negro que decidiu aplicar em mim. Pela primeira vez no ano, e em alguns anos, senti que não perdi absolutamente nada, e que não o vou perder sem uma luta renhida. E orgulho-me em dizer que, desta vez, a pessoa que não me posso dar ao luxo de perder sou eu própria.
- 20:21
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Yep, just like I took happy pills. E já não há volta a dar... felizmente! =)
- 01:12
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Lembro-me de, há uns meses atrás, pensar que a melhor maneira de nos apaixonarmos por uma cidade era apaixonarmo-nos nela. Estava sozinha no autocarro, a ouvir uma música qualquer que me inspirava na altura, e sorri para a paisagem de prédios e alcatrão. Não havia nada de particularmente bonito à minha frente. As árvores despidas, as pessoas a fugir da chuva, uma parede grafitada com palavras insultuosas, poças de água a transformarem-se em pequenas lagoas. E, no entanto, os reflexos pareciam-me tão harmoniosos que ouviria música sem que ela estivesse a dar. Um verdadeiro abismo dos sentidos e um engano tão delicioso quanto grande.
Não percebi o quão encantado era o mundo transformado aos meus olhos, porque acreditava que o encanto sempre tinha estado fora de mim.
Fiz a mesma viagem há uns dias, à espera de me sentir embrulhada pela nostalgia, mas não me senti nem um bocadinho nostálgica. Foi mais como se o tempo não tivesse passado, como se o percurso sempre tivesse sido o mesmo e eu só tivesse ido de férias por momentos. Os charcos lá continuam, as pessoas desiludidas com o mundo prosseguem o seu caminho e os vidros espelhados, manchados pelas gotas de chuva, não param de murmurar a sua tímida canção.
E eu posso lá voltar, de vez em quando. Não vou sentir a mesma coisa, mas vou estar lá perto outra vez, a desafiar o tecido do tempo. Porque, ao mesmo tempo que quero seguir o meu caminho, não me quero esquecer das coisas cândidas e do encanto perante os meus olhos. Não quero apagar os contornos desse regozijo, o toque leve de um tranquilo suspiro do mundo.
Letra:
I can't undo the day
It won't go, won't go under the rug
I pull out the stops
And you, you pull the plug
These are sober days and I know it can't be
But I'll miss you the way you miss the sea
Just (Don't look down) Keep staring like you've never seen the stars
(Don't look down) If you need me to remind you who you are
(Don't look down) Little blossom there's the shiniest soul
(Oh) Just behind those eyes
No longer my affair
Well I can't go there just yet
So I've come to love and trust those friends
That are holding your net
Falling off used to mean
Maybe grazing a knee
And I'll miss you the way you miss the sea
Just (don't look down) Keep staring like you've never seen the stars
(Don't look down) If you need me to remind you who you are
(Don't look down) Little blossom there's the shiniest soul
(Oh) Just behind those eyes
While I won't second guess
What you're thinking of me
I will miss you the way you miss the sea
- 23:39
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Às vezes tenho acessos tontos... dá-me uma incontrolável vontade de pôr um marcador na página do presente, saltar do meu livro para o teu, folhear as páginas e procurar com afinco até encontrar aquele dia em que alguém te pôs na cabeça que nunca mais havias de sair de um pequeno e pesado capítulo.
Quando desse de caras com esse triste evento e encontrasse essa infeliz personagem, trataria de sacudi-la da tua narrativa com veemência.
Depois, voltava ao sítio que tinha deixado marcado, virava as páginas com vigor - sem espiar as coisas que têm de ser conquistadas- e entregava-te uma caneta sem tampa, para que tivesses de escrever, mesmo que o texto acabasse por ser um erro. E não me ia embora até ter a certeza que ninguém seguraria a caneta por ti, ou que continuavas a pensar que o capítulo anterior era mais importante, e abandoná-lo tinha sido o maior erro da tua vida.
Letra:
I got home this morning with the sun right in my eyes
And there was no warning as it took me by surprise as it
Hit me like an Act of God, causing my alarm
That I had now become a cephalopod
I still had legs and arms
Still had legs and arms
Today was supposed to be the day
Molecules decide to change their form
Laws of physics lose their sway
Youthful indiscretion now is suddenly the norm
With the good kids sprouting horns, yeah yeah
And today was supposed to be
Not just another day
Today was supposed to be
Not just another day
It was supposed to be, today was supposed to be
And today
Those who can't quite function in society at large
They've got to wake up on this morning to find that they're in charge
But those the world's set up for, who are really doing quite well
They're going to wake up in institutions
In prison or in hell
Prison or in hell
Today was supposed to be the day
Molecules decide to change their form
Laws of physics lose their sway
Youthful indiscretion now is suddenly the norm
With the good kids sprouting horns, yeah yeah
And today was supposed to be
Not just another day
Today was supposed to be
Not just another day
Today was supposed to be
Not just another day
Toady was supposed to be
Not just another day
It was supposed to be, today was supposed to be
And today
But if you think there's something else
Well you're right, there is
There's something else
But if you think I'm gonna tell you, think again
Why should I even think of telling you what there is
Yeah, 'cause silence is knowledge
And knowledge is power
I'm under explicit orders to dare not speak it's name
Listen up, I just work here
Oh I dare not speak it's name
I can't keep talking about it
Oh, I dare not speak it's name
- 01:03
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Há alguns anos que fazia religiosamente uma lista com 12 desejos, ordenados cuidadosamente do mais para o menos importante. Guardo as listas desde 2006 ou 2007. São muitos os desejos que se repetem, uns outros quantos que se vão realizando, aos pouquinhos, e ainda uns outros que perdem importância.
O ano de 2012 é o primeiro, desde que me lembro de ser eu, que chegou sem lista detalhada. Comi as passas todas as mesmo tempo, fechei os olhos por segundos e sorri. Depois apercebi-me do silêncio na rádio, que ainda transmitia as 12 badaladas, e apercebi-me de que poderia ser eu a escolher a primeira música que ouviria no novo ano. Corri para o Ipod e, sem pensar, escolhi uma que se chama "Let Love Be Your Energy" e que já não ouvia há imenso tempo. Voltei a sorrir. Que raio de escolha para se fazer! Podia ter escolhido uma música com muito mais significado para mim, com uma letra sugestiva e uma mensagem de esperança - enfim, aquelas coisas a que o ano novo inspira. Mas não. Fui logo escolher uma música que não costumo ouvir e que até nem tem assim tanto significado para mim, se pensar bem nisso. Nem está na minha lista de favoritas. Ainda assim, pareceu-me apropriada, à luz do meu único desejo e das minhas 12 resoluções. Sim, porque eu comprometi-me a fazer 12 coisas, mas não sem pedir algo em troca. Como o diz a música, uma espécie de fuel para as conseguir cumprir.
Desde então, tenho revisitado pouco a minha lista, mas lembro-me várias vezes dessa decisão. A Sofia de há uns anos atrás provavelmente pediria maior sabedoria literária, talvez sucessos académicos e tréguas para a sua irremediável insegurança. Eis que agora me armei em destemida e achei que já era altura de parar de camuflar a minha identidade com coisas sem importância. Ou de culpar as circunstâncias, ou de me culpar a mim própria por não as saber controlar.
Nas minhas mãos ou não, sinto que fiz um pacto. Com quem? Em última instância, comigo própria. E algo me diz que esta talvez tenha sido uma das decisões mais perigosas e decisivas da minha vida.
- 15:04
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Letra:
Perdi-me num labirinto de saudade
Senti
À montanha
Dos sítios que não mudam
Subi
E ao abismo
Do vertiginoso futuro
Desci
Procurei para o sol
Procurei para o mar
Mas sem ti
No céu da paisagem daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Na pedra já mais que branda da memória,
Escrevi
Com o tempo
que o musgo vai levando a crescer
Com o brilho que a esperança nos faz
no olhar
Escrevi
Que a saudade é prima afastada do vagar
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Mas sem ti
No céu da paisagem
Daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
- 00:48
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E a quem julgo eu que minto?
Nada disto me chegou a abandonar.
Letra:
Just as the sand made everything round
Just as the tar seeps up from the ground
Bitter dancer, ever turning
So was the day that you came to town
You took a room and you settled in
Washed off the chalk from your weathered skin
Daylight sleeper
Bloody reaper
You took a room and you settled in
I should have known one day you would come
All of us walk so blind in the sun
Midnight feeder, beggar, pleader
I should had known one day you would come
Tell me again my only son
Tell me again what have you done
At arm's lengths
I will hold you there
There
At arm's lenghts
I will hold you there
There
- 23:51
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Tenho de confessar que invejo as pessoas que vivem vidas normais e preenchidas, e isso lhes basta.
Quando estava na residência, com as freiras, andava sempre a procura de sinais que me indicassem a razão por que tinham escolhido aquele caminho e abdicado de uma série de coisas por isso, mas nunca os encontrei. Todas elas me pareciam viver numa paz interior invulgar e lidar com as adversidades de uma maneira estranhamente serena. Todos os dias sorriam, tinham sempre uma palavra querida para nos dirigir e reparavam em pequenos detalhes engraçados acerca de nós, o que nos fazia sentir protegidas, de certo modo, porque nunca estávamos realmente sozinhas. Como é que elas o fazem, 365 dias por ano, 24 horas por dia é, para mim, um mistério.
Penso o mesmo acerca daqueles casais que vejo passar na rua, com os filhos pela mão. Mesmo que não transpareçam a mesma serenidade, é como se conseguisse ver nos seus gestos que todos os dias ganham sentido porque têm algo por que lutar, e isso pode ser mais poderoso do que qualquer outra coisa. Os instintos protectores dos pais e a necessidade de aprovação dos filhos é a base de todas as relações humanas, na minha opinião. Por isso, mesmo que haja lacunas, é-me impossível ficar indiferente a essa força, a essa cola que os mantém juntos. Sim, muitas vezes isto não dá certo, e mais vale cada um seguir o seu caminho do que fingir que se é o que não se consegue ser. Mas houve um momento em que esse equilíbrio foi perfeito, e isso bastava.
Invejo-os, não por terem o que eu não tenho mas por quererem o que eu não quero.
Gostava que estas coisas me bastassem. Que continuasse a acreditar num Deus que olha por mim, que quisesse ter uma família grande e próspera. De ter um emprego estável, fazer viagens ao campo nas férias, organizar jantaradas, conhecer os vizinhos, mandar postais aos primos, mesmo os mais afastados, no Natal, ter um partido político, fazer os bolos de anos dos meus filhos e dar festinhas de aniversário, ter um cão, um gato, um peixinho dourado e um alpendre com uma rede.
Mas isto não me basta...
Não, eu não quero só uma família. Quero casar-me por amor, se é que quero casar; quero ter um emprego criativo e estimulante, não um que me dê estabilidade; quero defender ideias e pessoas, não partidos; só quero férias e jantaradas com família e amigos, não com vizinhos que não conheço bem e com os quais não tenho nada em comum; quero um lar, não uma casa. Quero mudar a minha parcela de mundo. Viver, ou sobreviver, não me basta. Eu quero existir! Quero ser alguém!
Então, por que invejo eu os outros?
Talvez porque eles alcançaram o que queriam... estava ao seu alcance. No final de contas, eles vivem fora das suas cabeças e conseguem explicar o que fizeram, o que ainda vão fazer e por que o fazem. A mim, se me perguntam o que quero, emudeço. Não sei explicar. Talvez nem saiba bem o que é, materialmente. Nem sei bem como lá chegar.
O mais triste de tudo seria que, no emaranhado de exigências que ponho a mim própria, me esquecesse de viver.
- 23:47
- 4 Comments
Seja como for, para me redimir, nada melhor do que uma playlist, perfeita para descrever o dia. Aqui ficam elas, as músicas que não me saíram da cabeça.
- 23:32
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Letra:
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder
Vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
- 11:42
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