Última hora: somos uns grandecíssimos narcisistas (aparentemente)

12:18

Lá de vez em quando, no meio do estudo ou depois de acordar de uma noite mal dormida porque um dos professores do semestre se lembrou de lançar trabalhos à última da hora porque "a avaliação é contínua e ainda não tenho elementos que cheguem", uma pessoa vai lendo uns disparates. Há que aliviar a tensão, certo? O pior é quando a coisa se torna tão idiota que a tensão passa rapidamente a irritação... Se não fosse verdade, até tinha piada.

Estou a falar de uma capa da Time que tem andado a circular por aí faz já algum tempo. O artigo é do início de Maio e o autor Joel Stein. A notícia? Somos a "me me me generation" (a "eu eu eu geração"?). O pouco que consegui ler na internet diz o seguinte (desculpem se a tradução não estiver grande coisa):

"Estou prestes a fazer o que as pessoas mais velhas têm feito durante toda a história: chamar os mais jovens que eu de preguiçosos, egoístas e superficiais. Mas eu tenho estudos! Eu tenho estatísticas! Eu tenho citações de académicos! Ao contrário dos meus pais, avós e bisavós, eu tenho provas."



Ora, muitos parabéns! Alguém que encontrou uma maneira de dizer "a minha geração é melhor que a vossa" com números e citações. Espero que haja ali um nível de  sarcasmo tão perfeito que até pareça que ele está a falar a sério.

Para ser justa, não sei se o artigo tem alguma reviravolta no final, à laia de filme de Hollywood, porque não o consegui ler todo. A verdade é que o subtítulo da capa anuncia "como eles vão salvar-nos". Parece que vamos de bestas a bestiais.

Com reviravolta ou não, confesso que não estava à espera de encontrar uma capa sensacionalista na Time. A sério... as receitas de publicidade estavam assim tão mázinhas? Precisavam assim tanto de vender? Ou de chamar a atenção? É que isso conseguiram, de certeza. Mas fiquei com sérias dúvidas relativamente à qualidade da revista, confesso. Para além de não ser muito agradável ver a minha geração ser chamada de preguiçosa e acusada de ser um fardo para os pais quando estamos afundados em dívidas de propinas e trabalhamos DE GRAÇA por causa de um sistema estupidamente desequilibrado e injusto que herdamos, também me entristece ver que o mercado tomou completamente conta dos meios de comunicação. Isso é que me preocupa. Chamem-nos o que quiserem, não vai deixar de ser idiota e ridículo. Mas daí fazerem disto capa de revista... Bem, estou preocupada. Com o "jornalismo" e com todos nós.

E, já agora, numa de "contra-informação", as respostas, mais ou menos furiosas, que circulam por aí.







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Segue o Capítulo 3!